Pular Navegação de LinksMenu > Armênia > Rizkallah Jorge


Breve lembrança de Rizkallah Jorge, um benemérito


Rizkallah Jorge Tahanian O comércio, atividade que era malvista no tempo do Império, foi a grande mola a impulsionar a transformação da cidade de São Paulo e de toda sua região metropolitana no maior centro consumidor da América Latina. No século passado, o comércio era feito principalmente pelos mascates e pelas pequenas casas de especiarias. A partir do início deste século, porém, houve uma mudança muito significativa neste ramo de atividade, pois famílias antes ligadas à agropecuária, como os Prado e os Álvares Penteado, decidiram entrar nos ramos industrial e comercial.

Até 1939, o centro comercial de São Paulo se localizava em um triângulo formado pelos mosteiros de São Bento, do Carmo e de São Francisco. Em 1913, o Mappin havia inaugurado lá a sua primeira loja de departamentos, que se tornaria um dos marcos da cidade. Nessa região, também se situavam as lojas e os lugares da moda, e senhoras com seus elegantes chapéus transitavam pelas ruas Barão de Itapetininga, Marconi e pelo Largo do Arouche. A rua Florêncio de Abreu, principal ligação da Zona Norte com o centro, passou, em fins do século passado, a ser um importante centro comercial de produtos metalúrgicos. Esse processo começou a se firmar quando, em 1898, o imigrante sírio de origem armênia Rizkallah Jorge Tahanian fundou, naquela rua, a "Casa da Bóia".

Nessa época, a falta de saneamento básico era responsável por epidemias como a de febre amarela. Para resolver esse problema de saúde pública introduziram-se as caixas d'água e as caixas de descarga. Em entrevista ao Jornal da Tarde, Mário, neto de Rizkallah Jorge, relata: "Meu avô veio para o Brasil em 1890 e trabalhou, inicialmente, como funcionário de uma oficina que fazia peças de metal e as vendia no próprio local. Então, comprou a empresa e criou a Casa da Bóia". Mário também explica que o nome inicial do estabelecimento era "Rizkallah Jorge e Filhos", mas acabou mudando, em 1951, pois a essa altura já era mais conhecido como a loja que vendia bóias para caixa d'água.

A família Rizkallah já não usa o sobrenome armênio Tahanian. Este fato muitas vezes acontece em famílias de imigrantes, pois, como o sobrenome costuma ser de pronúncia difícil, o povo local passa a utilizar o primeiro nome e a família o acaba adotando. De qualquer maneira, Rizkallah Jorge Tahanian é lembrado como um grande benemérito da colônia armênia, tendo auxiliado, inclusive, na construção da Catedral Apostólica Armênia São Jorge, localizada na Avenida Tiradentes.

Sua solidariedade foi importantíssima para muitos dos imigrantes que vieram do Líbano e da Síria, nos anos 20, após terem fugido dos massacres na Turquia.

Em entrevista a Carlos Chirinian, o Sr. Michel Nercessian conta que toda aquela gente desembarcava em condições precárias no Porto de Santos, carregando os poucos pertences que era possível trazer na viagem. Um dia, um armênio já radicado em Santos soube que uma leva de conterrâneos seus havia chegado ao porto. Foi até lá, levou-os à estação ferroviária e os ajudou a embarcar para a capital. Aqui chegando, não tendo onde morar nem para onde ir, foram recebidos por Rizkallah Jorge, que os abrigou num casarão que possuía na esquina da antiga Rua Anhangabaú com a Barão Duprat. Era um grande galpão de três andares, onde o benemérito abrigava as famílias. Estas, permaneciam lá por cerca de dois ou três meses, até terem condições de se mudar para outro imóvel e liberar o espaço para novas levas de imigrantes. O espaço de cada família era delimitado por cortinas. O Sr. Agob Guludjian recorda, em depoimento ao mesmo entrevistador, que o salão onde o Padre Gabriel Samuelian rezava missa, na Rua Florêncio de Abreu, havia sido igualmente cedido por Rizkallah Jorge. Lembra, também, que, após saírem do casarão, as famílias alugavam sobrados em conjunto. Cada família morava em um quarto e utilizava cozinha e banheiros de forma comunitária.

Muitas das famílias que passaram por aquele casarão vieram a se estabelecer em Presidente Altino, que nessa época era um bairro da capital. Lá havia terrenos a preços baixos e oportunidades de emprego na Cerâmica Hervy e no Frigorífico Wilson. Essas famílias, então, compraram um terreno onde construíram a Igreja Apostólica Armênia São João Batista, que foi finalizada com a providencial ajuda de outro grande benemérito dos armênios, o Sr. Vahram Keutenedjian. Esta igreja, a primeira Igreja Armênia do Brasil, foi o núcleo em torno do qual se formou a Comunidade Armênia de Osasco.

criação

Home | Mapa do site | Contato | Comunidade | Armênia | Memória | Novidades | Galeria | Calendário | Links

Copyright ©2008 - Comunidade Armênia de Osasco - Todos os direitos reservados