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Festa de Vartanantz Zoravaratz


11/2/2010  

Com esse nome que são conhecidos, no século V, no ano de 451, os mártires que tombaram na grande batalha épica de Avarair, lutando contra o poderoso exército persa, em defesa da cristandade e da Igreja Armênia.

O rei Hazguerd, dos persas, queria reunir numa só religião em uma só língua, todas as nações que eram dominadas por seu império. Através de um édito real, ordenou que todos aceitassem o mazdeísmo. Havia apenas 150 anos, em 301, que a Armênia declarara o cristianismo como religião oficial de estado, porém, como se encontrava sob dominação da autoridade persa era obrigada a negar o cristianismo. Existiam militares, senhores feudais (nakharar), soldados e, especialmente, a ampla maioria do povo que era fiel, e preferia morrer a negar a religião cristã.

Foi realizada uma grande Assembléia, na qual participaram o Catholicós dos Armênios, Hovsep Hoghotsmetsi, o comandante Vartan Mamigonian, o governador Vassag Siuni, o valente padre Ghevont (Yerets), os senhores feudais (nakharar), príncipes, militares e a nobreza, para formular a resposta ao “rei-dos-reis” dos persas. Após prolongadas consultas, enviaram à Pérsia uma resposta, dizendo: “Estamos prontos a cumprir todas as ordens do rei, como súditos obedientes, mas não podemos renegar a Cristo e o verdadeiro Deus, que é o Senhor dos Céus e da Terra e de todas as coisas, por Quem, se necessário for, estamos dispostos até a morrer. É preferível morrer e aceitar a coroa da glória e eterna do Rei Imortal, a merecer honrarias efêmeras do rei mortal desse mundo. Nós não podemos renegar nossos pais, pois nós aceitamos como nosso pai, o Santo Evangelho, e nossa mãe, a Igreja Apostólica Armênia”.

O rei dos persas, irado por esta ousada resposta, decidiu declarar guerra. O Exército dos armênios, sob o comando de Vartan Mamigonian, preparou-se para a batalha. Na véspera da guerra, à noite, durante a celebração da Santa Missa, todos os soldados comungaram com o Corpo e Sangue de Cristo. Durante a cerimônia, o Catholicós Hovsep, o padre Ghevont (Yerets) e depois Vartan Mamigonian, inspiraram todos os combatentes com seus discursos fervorosos, preparando-os a defender, com suas vidas, a sua fé e a Igreja Mãe.

A batalha ocorreu no campo Chavarchan, de Avarair, às margens do rio D´ghmud (Delmut), no dia 26 de maio de 451, com número desproporcional de soldados e armamentos entre as partes. O temível exército persa, atacou com seus trezentos mil soldados o exército dos armênios, que mal contava com sessenta mil. Nessa terrível luta, os persas tiveram mais perdas, mas nesta batalha e sucessivas lutas, os armênios tiveram 1036 vítimas, as quais, com seu martírio consciente e voluntário, dedicaram suas vidas “em prol da religião e da pátria” (Vassen Groni yev vassen Hayreniats).

Apesar de os persas terem vencido no campo de batalha, a vitória moral, no entanto, foi dos armênios, uma vez que o rei Hazguerd não alcançou seus objetivos, e se convenceu de que seria impossível afastar os armênios da fé cristã. De fato, o resultado da batalha de Avarair foi a eternização da existência da nação e da Igreja Armênia. Esta é a convicção de todos os armênios, desde a época de Vartanants, até os dias atuais. A vida dos armênios foi preenchida com este espírito através dos séculos, durante todos os profundos sofrimentos na sua história.

A comemoração do Dia de Vartanants, desde o início até hoje, é uma das maiores, que atinge profundamente o coração de cada armênio, quando são glorificados todos aqueles heróis que, através de sua fé e martírio, fortaleceram no povo armênio o alto caráter de saber sacrificar a sua vida pela fé.

O Catholicós São Nerces Chenorhali (o Agraciado), compôs diversos hinos (charagans) dedicados a eles: “Norahrach” (o Novo Milagre) e “Ariatsialk” (os Valentes), que são cantados por ocasião desta comemoração. O Dia de Vartanants é celebrado na quinta-feira que precede o início da Quaresma; caso tal dia coincida com 14 de fevereiro, que é a Festa de Diarnentarach (Festa da Purificação), essa comemoração se realiza na terça-feira da mesma semana.







SRPOTS GHEVONTIANTS

(São Ghevont e seus companheiros de fé)

(451-454)



CATHOLICÓS HOVSEP HOGHTSMETSI, BISPOS SAHAG E TATIG, PADRES GHEVONT, MUCHÉ, ARCHEN, SAMUEL, APRAHAN E KHOREN E DIÁCONOS KATCHATCH APRAHAM



São conhecidos sob o nome de “Ghevontiants” aqueles religiosos que, após a batalha épica de Vartanants (451) o rei persa Hazguerd, para evitar novos tumultos na Armênia, junto com alguns ministros nos quais ele não confiava, mandou encarcerar na fortaleza de Niuchabuh no ano de 454, e logo depois, sob a insistência dos magos, mandou torturar e matar, um por um.

Já antes destes acontecimentos, haviam sido martirizados o padre Samuel, o diácono Apraham e o bispo Tatig. Logo depois, foram executados os encarcerados na fortaleza de Niuchabuh, como segue:



a) Catholicós Hovsep – Era da aldeia de Vayots Tsor, região de Hoghotsmants. Foi um dos primeiros alunos de São Sahag e São Mesrop. Depois da morte de São Mesrop, assumiu o cargo do catholicossato armênio.



b) Bispo Sahag – Por conhecer fluentemente a língua persa, nas derradeiras investigações, atuou como intérprete.



c) Padre Ghevont (Yerets) – Era o mais idoso do grupo e com a saúde debilitada, porém forte espiritualmente. Através de sua palavra e exemplo, havia deixado uma grande impressão no exército e em seus companheiros.



d) Padre Muché – O pároco do principado dos Ardz´runis que, depois dos Mamigonians, haviam assumido o papel mais importante no Levante de Vartanants.



e) Padre Archén – Era um religioso simples e humilde, mas possuía uma forte fé, e vivera na aristocracia da época, sendo muito respeitado por todos eles.



f) Diácono Katcharch – Era o servidor do bispo Sahag. Até mesmo na sua posição humilde, sua atitude fora notável, razão pela qual foi igualmente condenado, da mesma forma que os outros.



Os seis religiosos citados foram, primeiramente, induzidos a renegar sua fé. Mas, quando permaneceram inabaláveis, foram martirizados, após sofrerem torturas cruéis.

Os “Ghevontiank” (Grupo de Ghevont), são considerados os santos que orgulham o clero armênio, pois eles incorporam a idéia de dedicação à pátria e fé.

Junto com os “Vartanants” (heróis da Batalha de Avarair/451), eles mantiveram em patamares elevados a vida do povo, o caráter sagrado da religião, e foram os mais notáveis ativistas do princípio de manter viva e proteger a nação, com a Igreja Armênia.

Tal conduta é o resultado da nobre educação que receberam, uma vez que quase todos foram alunos da escola dos santos Sahag e Mesrop, que haviam fortalecido, neles, paralelamente ao estudo e progresso, o caráter de pessoas imbuídas de profundo amor à pátria e dedicação à Igreja e a Deus.





KARIBIAN, Arcebispo Datev., Ecos Ressonantes - São Paulo, 2008. P.104-107.



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