ARMÊNIA 2010 - Ano X, nº 199
24/1/2010
Comunicamos que o Informativo ARMÊNIA 2010 completa, este ano, 10 anos de existência e sua edição de n° 200, em fevereiro vindouro. Pretendemos publicar este número especial com os comentários e sugestões dos leitores, sobre o Informativo. Àqueles que quiserem participar, solicitamos que enviem seus textos até 8 de fevereiro, data-limite, utilizando o tipo de letra Times New Roman, modelo justificado e de preferência, em expressão sucinta e objetiva.
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VERDEJANDO A ARMÊNIA A ONG conhecida por Armenia Tree Program (ATP) opera desde1994 na Armênia com o objetivo de reflorestar o país e fomentar o gosto pela plantação de árvores adaptadas às suas condições naturais. O atual presidente do ATP é o armeno-americano Jeff Massarjian, responsável pela realização das três me-tas prioritárias fixadas para a entidade: a) preparação de mudas selecionadas e seu transplante no meio natural nas várias regiões do país. Para esse fim a ATP criou dezenas de vastos viveiros onde permanentemente se produzem as mu-das desejadas. b) educação ambiental pelo qual, anualmente, centenas de professores de escolas primárias e secundárias públicas são conscientizados e treinados para ministrarem currículos sobre plantação e cuidado de árvores aos alunos, c) desenvolvimento comunitário mediante incentivo à plantação de árvores frutíferas (damasco, maçã, etc.) a fim de propiciar renda e segurança alimentar a comunidades rurais desfavorecidas. Graças ao empenho de cen-tenas de voluntários e de um bom número de profissionais qualificados, a ATP já plantou, desde a sua criação, mais de 3,5 milhões de árvores de diversas espécies em praticamente todas as regiões da Armênia, e está determinada a prolongar sua bela missão ecolo-econômica durante muito tempo. Ao Jeff Massarjian, nossos votos de um novo ano em que ele e seus colaboradores possam plantar mais e mais árvores para o bem da Armênia e de seus habitantes. (HEDQ)
A ARMÊNIA DOARÁ 100.000 DÓLARES P/RECONSTRUÇÃO DO HAITI De acordo com as informações do Primeiro Ministro Tigran Sarkissian, em sessão parlamentar de 21 de janeiro, a Armênia ajudará nas obras de recons-trução do Haiti com uma doação de 100.000 dólares. “A Armênia esteve em prontidão por horas, para enviar uma equipe de socorro de 50 elementos. Tal ansiedade é compreensível: nosso país passou por experiências similares, com as consequências de terremotos devastadores, porém não deixou de receber assistência imediata por parte de órgãos internacionais. Queremos, pois, aju-dar.” (O Presidente referia-se ao terremoto de dezembro de 1988, na Armênia, com 25.000 mortos e milhares de pessoas desprovidas de suas casas). O terre-moto de Haiti teve uma magnitude catastrófica de 7.0, centrado a 25 km da capital Porto Príncipe, com uma profundidade de 13 km, ocorrido às 16hs53, na 3ª feira, dia 12 de janeiro. Os serviços de Inspeção Geológica dos Estados Unidos registraram uma série de outros tremores, catorze dos quais com magni-tudes entre 5.0 e 5.9. A Cruz Vermelha Internacional estimou que cerca de 3 milhões de pessoas foram atingidas pelo terremoto e as autoridades haitianas acreditam que acima de 200.000 tenham morrido, excedendo as estimativas anteriores de 45.000 a 50.000 mortos. (PanArmenian.Net e Azadutiun.am)
GOVERNO PREMIA ARTISTAS NACIONAIS Em 21 de janeiro, o presidente Serge Sarkissian entregou prêmios a represen-tantes das áreas da literatura, música, pintura, arquitetura e desenvolvimento urbano cujos trabalhos foram considerados os melhores. O Presidente parabe-nizou os vencedores e expressou sua apreciação pelo fato de a cerimônia de premiação ter se tornado um evento tradicional. Destacou o valor das pessoas que contribuem para o desenvolvimento e perenidade da cultura armênia, “Naturalmente, o tempo é o melhor juiz, mas nós, seus contemporâneos, temos que avaliar os que dão um novo alento às tradições seculares de nossa cultura”, disse o Presidente. E acrescentou que já era tempo de estabelecer prêmios para as áreas das ciências exatas e naturais, bem como as ciências públicas e humanas, declarando que os próximos prêmios serão dobrados em valor. (Radiolur)
ENCONTRO TRILATERAL ARMÊNIA/AZERBAIJÃO/RÚSSIA No dia 25 de janeiro, haverá uma reunião trilateral entre os presidentes da Armênia, Azerbaijão e Rússia, em Sochi, na Rússia. Serge Sarkissian, Ilham Aliev e Dimitry Medvedev tratarão da resolução do conflito de Karabagh, após várias reuniões já realizadas, com propostas ainda não satisfatórias. (Aysor)
A ARMÊNIA MANTÉM A DECISÃO DE RATIFICAR OS PROTOCOLOS O Ministro do Exterior Edward Nalbandian declarou à imprensa de Erevan, em 22 de janeiro, que a Armênia continua mantendo sua intenção de ratificar os Protocolos. Qualquer declaração de que a Corte Constitucional tenha feito emendas aos documentos é ridícula. De acordo com ele, depois que os docu-mentos foram assinados em Zurique, o processo de ratificação foi congelado pela Turquia. Expressou sua confiança no fato de que a Turquia não buscará razões artificiais para adiar a ratificação. “Não creio que a comunidade inter-nacional aceitará as tentativas da Turquia em culpar a Armênia para fazer fracassar os Protocolos”. E destacou ainda: “Esperamos que a Turquia ratifique os Protocolos e pare de usar a linguagem das precondições e de procurar relacioná-los a processos inexistentes.” Em 12 de janeiro, a Corte Constitucional da Armênia considerou legais os Protocolos Armênia-Turquia, decidindo que a Declaração da Independência, constante na Constituição, não pode ser violada, conforme os termos: “A República da Armênia apoia o empenho em conseguir o reconhecimento internacional do Genocídio de 1915 pelo Império Otomano na Armênia Oriental.” Esta cláusula provocou a indignação do Ministro do Exterior da Turquia, Ahmet Davutoglu, que acusou a Armênia de violar os princípios estipulados nos Protocolos. Posteriormente, o Ministro Edward Nalbandian refutou, através de uma severa conversação telefônica. Ainda a este respeito, Hovik Abrahamian declarou que se a Turquia continuar impondo pretextos para anular os Protocolos, a Armênia está preparada para tomar medidas equivalentes. (News.am, Tert.am)
TRATADOS INTERNACIONAIS ASSINADOS PELA ARMÊNIA EM 2009 O Ministro do Exterior Edward Nalbandian apresentou em 22 de janeiro, durante a conferência anual com a imprensa, as realizações de 2009 na Armênia, rela-tando as numerosas visitas de intercâmbio, consultas políticas, reuniões e eventos em níveis nacionais e internacionais, destacando a assinatura de cerca de 100 tratados internacionais, fato que prepara o terreno para a solidificação de futuras relações bilaterais e multilaterais entre os países. No ano passado, o presidente Serge Sarkissian visitou 22 países, enquanto que oito líderes de outros países visitaram a Armênia. O presidente do Parlamento Hovik Abrahamian visitou oito países e recebeu dois dos seus pares. O Primeiro Ministro Tigran Sarkissian também visitou oito países, enquanto Edward Nalbandian foi a 29 países, recebendo em Erevan, por sua vez, 11 dos seus pares. Visitaram ainda a Armênia em 2009 cinco líderes de organizações internacionais. As iniciativas tomadas e efetivadas procuraram criar condições favoráveis para o desenvolvimento da República e das relações internacionais. (Armradio.am, Tert.am)
DIÁSPORA
ARMÊNIOS NA ÁFRICA DO SUL – A África do Sul deve nos interessar não só porque dentro de alguns meses o Brasil vai tentar conquistar aí o título de hexa-campeão da Copa do Mundo, mas também porque viceja nele uma pequena e dinâmica comunidade armênia. Os membros dessa comunidade celebraram o Natal armênio no dia 6 de janeiro na Igreja Anglicana de Johanesburgo, cidade onde vive o principal núcleo dessa comunidade. O ofício religioso foi dirigido pelo pastor Aharon Sapsezian que, com sua esposa Zabel, encontrava-se na cidade em visita de férias à família de sua filha Cristina. A comunidade armênia da África do Sul é formada de cerca de 80 famílias socialmente bem adaptadas, prósperas e felizes. A entidade que procura congregar os armênios do país em torno de atividades sócio-culturais é a Sociedade Armênia da África do Sul cujo atual presidente é Kurken Jaglassian. Informações sobre a Sociedade e seus empreendimentos são divulgadas regularmente pelo site Armenian Society of South Africa. Dois personagens interessantes marcaram a história dessa comu-nidade nos últimos anos. Um deles, Krikor Der Balian, um dos pioneiros imigran-tes armênios, viveu longos anos em Mbabane, no Swaziland, um estado autôno-mo no interior das fronteiras da África do Sul, a uns 400 km de Johanesburgo. Aí prosperou e, com seus próprios recursos, fez construir em sua vasta proprieda-de uma pequena capela armênia. Essa capela era utilizada para a devoção pes-soal de Der Balian e de amigos que o iam visitar. Quando, ocasionalmente, um clérigo da Igreja Apostólica vinha em missão aos armênios da África do Sul, a capela era o lugar onde se realizavam os ofícios e os batizados. É o que, efeti-vamente, se deu quando, durante 10-15 de janeiro, dom Ashod Mnatsakhanian, atual bispo diocesano do Egito e de Toda a África, visitou a África do Sul. Por triste coincidência, porém, Krikor Der Balian havia falecido dias antes, em 29/12/09. Por não ter contraído matrimônio, seus únicos herdeiros são parentes distantes que vivem nos EUA. O outro personagem armeno-sul-africano singular e curiosamente interessante é Julien Minas Missak(ian?) (1906-1980). Nascido na Bélgica, filho e único herdeiro de próspero comerciante de tabaco, imigrou para Johanesburgo em 1949 e aí adquiriu uma suntuosa mansão onde viveu quase sempre em reclusão. Nessa mansão, ele colecionou rico acervo de objetos de arte, quadros e livros raros. Por razões não esclarecidas, em 1970 Julien Minas Missak fez votos religiosos, passou a se chamar Irmão Jerônimo, e filiou-se à comunidade monástica greco-ortodoxa de São João Batista de Maldon, Essex, na Inglaterra, com autorização de continuar a viver e praticar sua disciplina religiosa em reclusão na sua própria residência sul-africana até o final de sua vida. Seu testamento determinava que, com sua morte, sua bela propriedade, em terreno de 12.000m2, em zona residencial nobre, fosse utiliza-da para a criação de um Centro Cultural Armeno-Belga sob a tutela da Univer-sidade de Johanesburgo. Esse projeto nunca se concretizou e, com o correr dos anos, a mansão e seu belo jardim sofreram danos por falta de manutenção e de cuidados. A comunidade armênia de Johanesburgo tentou obter o direito de reabilitar e gerir a mansão, mas a falta de coesão entre os membros da comuni-dade e conflitos entre seus líderes impediram que também esse projeto se reali-zasse. Consta que, ainda segundo o testamento de Julien Missak, em último recurso a propriedade fosse vendida e o valor fosse revertido em partes iguais ao Mosteiro de São Batista e à União Geral Armênia de Beneficência (UGAB) de Nova York. Efetivamente, após prolongadas peripécias judiciárias, a propriedade foi vendida em 2005 por um valor equivalente a 1,2 milhão de dólares, porém ignora-se se os beneficiários testamentários já receberam as partes que lhes cabem. Enfim, como qualquer outra comunidade armênia da Diáspora, também a da África do Sul tem sua movimentada história de realizações, projetos e frus-trações, pontilhada de curiosos personagens dignos de novelas rocambolescas. (Aharon Sapsezian)
RÚSSIA- PROPOSTA PRETENDE CONGELAR CONFLITO DE KARABAGH Político russo Leonid Gozman, vice-presidente do partido “Causa Justa”, declarou ao jornal Day.az.que não vê uma solução política para o conflito de Karabagh que satisfaça os interesses da Armênia e Azerbaijão. “Tenho convicção de que este conflito é daqueles que não podem ser resolvidos com uma vara mágica”. Segundo ele, negociações de questões ainda não resolvidas podem levar até 30 anos. Em outras palavras, as partes podem concordar oralmente, ou por escrito, e retomar a resolução do conflito, posteriormente. Neste caso, elas deveriam discutir outras questões. “A minha proposta é que se estabeleça um contato inicial entre os dois países, que penso ser muito mais importante hoje – priorizando as relações diplomáticas, comerciais e econômicas, culturais, ecológicas e outras mais.” O político russo considera que neste momento, o acordo entre as partes conflitantes deverá se relacionar mais com a normalização da situação regional como um todo, do que especificamente com o status de Nagorno-Karabagh. (groong, news.am)
Fundadores: Aharon e Zabel Sapsezian
Editora e redatora: Sossi Amiralian
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