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ARMÊNIA 2009 - Ano IX, nº 197


21/11/2009  

Falando na sessão plenária do Parlamento Nacional, em 18/11, o Primeiro-Ministro Dikran Sarkissian apresentou as linhas gerais do programa de refor-mas que deverão constituir prioridades na política interna governamental do ano próximo, a saber: a) aperfeiçoar a legislação comercial do país a fim de diversificar a economia, fomentar a concorrência, estimular os investimentos e favorecer a criação de novas empresas; b) intensificar o combate à evasão fiscal que continua a ser praticada pelos grandes oligopólios que sistemática-mente ocultam seus lucros; auditorias independentes das contas dessas empresas serão exigidas; c) reforçar as medidas já em prática para extirpar de vez a corrupção no país que, como se sabe, é intoleravelmente alta e corrói o tecido econômico nacional.

NOVA CASA EDITORA
A União dos Escritores Armênios (UEA) inaugurou a sede de sua nova casa editora em Erevan, em cerimônia realizada em 2/11. Estiveram presentes ao ato, além de vários escritores e numerosos convidados, Levon Ananian, presidente da UEA, e Berj Setrakian, presidente da UGAB-Internacional que financiou o projeto. Graças a essa bem equipada casa editora, a UEA poderá atender melhor a demanda de autores armênios, especialmente os estreantes, que muitas vezes encontram dificuldade em publicar suas obras em empresas editoras particulares. Falando na ocasião, Levon Ananian referiu-se a novos projetos da UEA para o futuro próximo, entre os quais a criação de uma livraria moderna e aberta ao público, na própria sede da casa editora.

PARA RESTAURAR OBRAS DE ARTE
Os ministérios da cultura da Armênia e da Itália firmaram acordo para a criação de uma escola de restauração de obras de arte em Erevan, a partir do início do próximo ano. Para um país como a Armênia que tem o privilégio de contar com numerosos museus dotados de tesouros artísticos antigos que carecem de preservação cuidadosa, esse novo centro de formação é de importância funda-mental. Segundo a Ministra da Cultura Hasmig Poshoian, a escola formará pessoas habilitadas na restauração de variados objetos artísticos, desde pin-turas e esculturas do patrimônio nacional até os afrescos recém-descobertos da antiga cidade de Erebuni. Especialistas italianos virão regularmente a Erevan para dar cursos sobre a matéria e estudantes armênios poderão também fazer especializações na Itália.

CENTRO DE ARTES “CAFESJIAN”
Com a presença de numerosas personalidades do mundo artístico e político da Armênia, inaugurou-se em 8/11, em Erevan, o mais novo museu de artes da capital. A inauguração foi feita pelo próprio empresário e benfeitor armeno-americano Gerard Cafesjian de cujas coleções particulares provêm a maior parte do acervo do novo museu e que inclui obras de grande valor produzidas por artistas armênios e outros.

FMI APONTA DEFICIÊNCIAS
Em entrevista dada em 3/11, a representante do Fundo Monetário Internacional na Armênia, Nienke Oomes, diagnosticou que a economia da Armênia é domi-nada por monopólios que prejudicam seriamente o desenvolvimento do país. “É necessário que haja livre concorrência em todos os setores da economia, muitos dos quais são hoje dominados por uma ou duas grandes empresas”. Oomes se referiu também ao recente relatório do Banco Mundial onde se afir-ma que “a Armênia não conseguirá prosperar devidamente enquanto os seto-res mais rentáveis da economia continuarem sob o controle de um punhado de empresários ligados ao governo”. “O país”, arrematou Oomes, “necessita criar um sistema jurídico vigoroso e independente, e combater com maior rigor a corrupção que campeia nos círculos governamentais. É um absurdo que muitas grandes empresas pratiquem impunemente a evasão fiscal”.

GRAVE ÍNDICE DE CORRUPÇÃO
A ONG Transparência Internacional realiza todos os anos um estudo sobre o “Índice Perceptível de Corrupção” (IPC) dos 180 principais países do planeta, com base em dados colhidos junto a vários organismos internacionais creden-ciados. Segundo Amália Kostantian, presidente dessa ONG na Armênia, o resultado do estudo realizado este ano indica que a Armênia figura entre os países onde o IPC é dos mais graves. Numa escala de nota 10 a 1, a Armênia, que no ano passado, tinha a nota 2,9, deslizou ainda mais e caiu para a nota 2,7. A título de comparação, os melhores colocados na lista dos 180 países são a Nova Zelândia (9,4), a Dinamarca (9,3) e a Suíça (9,0), enquanto os mais corruptos são a Somália (1,1), o Afeganistão (1,3) e o Sudão (1,5).

JORNALISTA TURCA: “O KARABAGH É 100% ARMÊNIO”
Vahagan Alci, jornalista do diário turco Aksam, visitou recentemente o Karabagh a serviço do seu jornal e se deteve notadamente na cidade de Shushi e na capital Stepanaguerd onde dialogou com membros da população. Falando à TV de Stepanaguerd em 15/11, Alci declarou: O que vi e constatei durante a minha visita, dissipou qualquer dúvida que eu tivesse a respeito... O Karabagh é 100% território armênio e os armênios têm razão em insistir que não cederão nesse ponto”. Indagado sobre as relações armeno-turcas, a jornalista acrescentou: ”Meu governo afirma que as fronteiras entre os dois países só serão abertas se o problema do Karabagh for resolvido. Veremos!”

CÚPULA SARKISSIAN-ALIYEV
Após várias hesitações, decidiu-se finalmente que o presidente armênio Serge Sarkissian e o azerbaijanez Ilham Aliyev se encontrarão em Munique, Alema-nha, no dia 22/11, para retomar a discussão concernente à solução política do problema do Karabagh. Segundo o serviço de imprensa da presidência armê-nia, este será o sexto encontro entre os dois presidentes durante este ano.
DIÁSPORA

FRANÇA - Um grupo de jovens intelectuais armênios, engajados na causa nacio-nal, criou em Paris um núcleo de reflexão e de intercâmbio de idéias sobre a reali-dade armênia contemporânea. Batizado com o nome de “Observatório Armênio”, o novo órgão visa a superar o “déficit atual de reflexão coletiva armênia nas áreas política, social, econômica e cultural”. No comunicado datado de 14/10, os criado-res do Observatório Armênio declaram que “a emergência de uma nova reflexão coletiva armênia, adaptada ao nosso tempo, por meio da qual as novas gerações possam se exprimir com liberdade e rigor intelectual é uma das grandes necessi-dades atuais do povo armênio”. Endereço: contact@observatoirearmenien.org

ITÁLIA - “La Cucina d’Armenia” é o titulo do volume sobre culinária armênia que Sonia Orfalian publicou em Milão, editado por Ponte delle Grazie Editore. Durante a cerimônia do lançamento do livro, a autora não só falou da tradicional cultura culinária dos armênios, como também discorreu sobre sua história passada e presente. A comunidade armênia na Itália é numericamente pequena, porém conta com importantes empreendimentos culturais e artísticos tais como o Mosteiro dos Padres Mekhitaristas em Veneza e cadeiras de armenologia nas universidades de Veneza e de Milão.

LÍBANO - A Universidade Haigazian de Beirute, mantida pela União das Igrejas Evangélicas Armênias do Líbano, é a única instituição armênia de ensino superior da Diáspora. Uma delegação dessa Universidade, liderada pelo reitor Rev. Prof. Paul Haidostian, esteve recentemente em visita oficial à Armênia a fim de estreitar laços de cooperação com instituições análogas no país. Nessa ocasião, foi firmado um acordo entre a Universidade Nacional de Erevan (representada pelo reitor Prof. Aram Simonian) e a Universidade Haigazian no qual se estipula que as duas insti-tuições empenharão esforços para fomentar o intercambio de professores, estu-dantes, publicações e outros recursos.

TURQUIA - Bagrat Estukian é o atual editor do periódico armeno-turco de Istambul “Agos”, outrora dirigido por Hrant Dink, assassinado há três anos. Falando aberta-mente a um grupo de jornalistas turcos sobre os armênios que vivem hoje em Istambul, fez corajosas afirmações das quais reproduzimos algumas partes: “Nós, armênios, mentimos quando usamos a desinência ‘oglu’ para o nosso nome de família, em lugar do tradicional ‘ian’.” E esclarece que, quando em 1930, a Turquia passou por uma reforma radical de costumes e práticas, os cidadãos turcos que, por hábito nunca tinham nome de família propriamente, foram obrigados a adotar a desinência ‘oglu’; e que, a mesma reforma impôs que os armênios trocassem o seu ‘ian’ por ‘oglu’. Estukian lamentou, em seguida, que a maioria dos 45 mil armênios que vivem em Istambul tendam a desinteressar-se pelo idioma armênio e muitos deles prefiram dar nomes turcos a seus filhos. “Até mesmo algumas de nossas 37 igrejas no país”, acrescentou, “carecem de líderes religiosos bem preparados”.

Fontes: ArmenianPress, Artzakank, Asbarez, Aysor, Groong, Noyan Tapan, RFE, Tchanasser

Autoria desta edição: Aharon Sapsezian
Revisão e Formatação: Zabel Sapsezian



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