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Os sobreviventes do massacre refugiaram-se na Síria, Grécia, Chipre, Egito, Iraque e principalmente no Líbano, na época território francês. Foram os franceses que auxiliaram os armênios a obter a documentação necessária para emigrarem para outros países. Durante toda a década de 1920, os armênios emigraram em massa para várias partes do mundo, e em maior número para Europa, América do Norte e América do Sul, a chamada “grande diáspora”.

O que caracterizou a imigração dos armênios não foi a busca por uma melhor situação econômica ou simplesmente a aventura de tentar uma nova vida, mas sim, alcançar refúgio, afinal havia a esperança de retornar à terra natal.

Viajavam em navios de carga, amontoados nos porões, levando quase que somente a roupa do corpo. Aqueles que vinham ao Brasil desembarcavam em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, e em sua grande maioria, no Porto de Santos, onde abrigavam-se na estação ferroviária e, em seguida, subiam a serra para chegar a São Paulo. Muitos eram acolhidos por um grande benemérito da colônia armênia, Rizkallah Jorge Tahanian, que acomodava as famílias em um casarão que possuía na esquina da Rua Anhangabaú (atual 25 de Março) com a Barão Duprat. Nos três andares do edifício, cortinas delimitavam o espaço de cada família. Quando já tinham condições, em geral após alguns meses, as famílias se mudavam para residências próprias, liberando espaço para que novos imigrantes se instalassem. Algumas famílias alugavam sobrados em conjunto, cada uma ocupando um quarto e utilizando as outras dependências, como banheiro e cozinha, de forma comunitária. Na Rua Florêncio de Abreu havia um salão, também pertencente ao senhor Rizkallah Jorge, que era usado como igreja, sendo as missas rezadas pelo padre Gabriel Samuelian. Outros foram acolhidos por Vahram Keutenedjian, outro grande benemérito da colônia.

As primeiras famílias armênias chegaram ao Brasil no final do século XIX, entre elas os Gasparian, os Keutenedjian, Rizkallah Jorge Tahanian e o Engenheiro Mihran Latifian (construtor da Ferrovia Imperatriz Leopoldina), resultado das ações turcas da década de 1890. Curiosamente foram elas que, por já estarem estabelecidas no país, receberam os grandes contingentes de imigrantes anos depois.

Os armênios começavam a ganhar a vida no novo país de maneira bem humilde, como mascates, pequenos comerciantes, operários, engraxando sapatos, vendendo amendoim, limonada...

A ave chamada “grunk” (grou) é o símbolo da imigração Armênia, sempre voando para a terra natal para trazer notícias.

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