Os Europeus da Ásia (331 a.C.)
A região vai se armenizando, os antigos habitantes vão gradualmente adotando o novo
idioma e incorporando-se, assim, ao reino que surge.
Até essa época, os armênios sempre haviam tido a vitória a seu lado, não haviam
sentido o sabor amargo da derrota e da submissão. Tiveram essa experiência trágica
quando Ciaxares, rei dos Medos, conquistou a Armênia, logo após ter destruído o
Império Assírio.
Depois, liderados por Ciro, os persas tomam o lugar dos medos como dominadores.
Apesar de dominados, os armênios gozam de grande autonomia, mas recebem forte influência
da cultura persa, tanto nos costumes como na língua e na religião.
Encorajados com a revolta dos babilônios e a morte de Ciro, os armênios levantam-se
contra os persas mas são derrotados por um dos generais de Dario. Em 331 a.C., os
macedônios de Alexandre, o Grande, atacam e conquistam o Império Persa. A Armênia
muda, mais uma vez, de dominador. Alexandre traz a independência para o povo armênio
e coloca-o em contato com a civilização grega, o helenismo. Disso resulta uma nova
e importante fusão cultural, que marcará para sempre os armênios. Eles serão chamados
de "os europeus da Ásia".
A morte de Alexandre desencadeia uma série de disputas por sua sucessão.
Não se
pode saber se, nesse período, a Armênia ficou submissa aos gregos ou foi independente
sob o cetro de Hrant I, como afirma H. Pasdermadjian. O fato é que, depois de 222
a.C., a Armênia está integrada ao Império Selêucida, fundado por Seleuco, um dos
generais de Alexandre. Este império englobava o Irã, a Mesopotâmia, a Síria e a
Ásia Menor, e tinha Antioquia como capital.
Antíoco III, um dos sucessores de Seleuco, divide a Armênia em duas províncias,
cada uma governada por um príncipe nativo: Artaxias na Grande Armênia (a leste do
rio Eufrates, região de Erzerum, Much, Van e Yerevan) e Zareh na Armênia Menor (a
oeste do rio Eufrates, região de Sivas, Erzindjan e Meliteno).
Roma apenas observa o desenvolvimento desse novo império no Oriente e, ao sentir
uma ameaça iminente, ataca Antíoco III e o derrota definitivamente na batalha de
Magnésia (190 a.C.). Essa data é muito significativa para os armênios, pois recuperam
sua independência com o consentimento do senado romano. Logo após a morte de Zareh,
Artaxias unifica a Armênia novamente, aumentando ainda mais seu Estado em detrimento
dos povos limítrofes, os Albanos (habitantes do atual Azerbaijão) e os Íberos (georgianos).
Muda, também, a capital, passando-a de Armavir para Artaxata.