Cilícia (1199 d.C.)
A Armênia perde sua independência. O povo nesse momento agrupa-se em torno de Ruben
(um príncipe bragatida), organizam-se e rumam para a Cilícia - numa grande migração
- alguns armênios refugiam-se na Moldávia, Hungria e Polônia.
Ruben chega à Cilícia e reúne os chefes de algumas pequenas colônias armênias, vassalos
de Bizâncio, que já haviam migrado. Liberta-os do jugo grego e funda, em torno do
burgo de Bartzerbert, um principado que se tornaria o núcleo de um novo estado,
a Nova Armênia ou, também chamada Pequena Armênia. Surgem
desta maneira, uma nova
dinastia, provinda da bragatida, a "ruberiana".
A formação dessa nova dinastia coincidiu praticamente com o início das cruzadas;
tanto que, os primeiros soberanos da Nova Armênia se intitularam "barões", uma influência
da nobreza ocidental.
O filho de Ruben, Constantino, apoiou as primeiras cruzadas, participando do cêrco
à Etióquia e estabelecendo alianças familiares dos barões armênios e os senhores
francos.
Levon II, o chefe do principado armênio, recebeu dos soberanos do ocidente e do
Papa, a dignidade real, por seus serviços prestados no auxílio a Frederico Barbarroxa,
quando enfrentaram Salah Eddin - que havia destruído Jerusalém. Em 1199, Levon II
foi coroado na igreja de Santa Sofia de Tarso. Nesse reinado a Nova Armênia viveu
anos de muita prosperidade e paz. O Magnífico - como era chamado - estruturou seriamente
sua economia, fazendo-a beneficiar-se das instituições latinas, transformou a cidade
de Sis, sua capital, numa cidade florescente, e derrotou por fim, os turcos e árabes.
Mas, infelizmente, a dinastia "ruberiana" foi rompida pela tradição; Levon II não
teve um herdeiro para seu trono, apenas Zabel, sua filha, que junto de seu marido
Hetum fundam a nova família real.
A situação era bastante delicada. A Armênia se defendia agora dos ataques dos mamelucos
do Egito e dos turcos, pois, seus aliados dos Estados Cruzados também passavam por
dificuldades frente aos golpes dos mesmo mamelucos.
Um agente externo e alheio a tudo isto, acaba apoiando indiretamente os armênios.
Os pagãos mongóis possuíam uma aversão mais acentuada aos muçulmanos do que aos
cristãos. Hetum, com muita astúcia, dirige-se à Caracorum concluindo uma aliança
com o neto de Gengis-Cã, Ogstai-Cã. Alguns mongóis já estavam influenciados pelo
cristianismo - inclusive já adotaram o culto nestoriano - por exemplo: quando Kitbuga
conquistou Damasae em 1260. Caso os cruzados tivessem tido a mesma luz dos armênios
e, aceitando os mongóis como aliados, eles teriam se convertido ao cristianismo,
mudando provavelmente toda a história.
Não foi o que aconteceu, os mongóis, rejeitados pelos cruzados, tornaram-se muçulmanos,
expulsando os estados latinos do oriente.
O mesmo destino da dinastia ruberiana cai sobre a heitumiana. A ausência de um herdeiro
varão extinguiu a dinastia em 1342.
Instaura-se então, a sucessão de uma família francesa, a dos Lusignan - Guy que
era filho do irmão do rei Heitum II e; Amauri, irmão do rei de Chipre, Henrique
II, é que subiu ao trono.
Entretanto, a dinastia Lusigman não é bem aceita entre os armênios, pois, esses
príncipes latinos tentaram impor à Armênia a sua igreja católica. Conseguiu apenas
a indignação do povo armênio, que nunca abriria mão de sua "igreja nacional".
Guy é assassinado; os mongóis não estão por perto, os principados francos desaparecem,
os armênios encontram-se novamente em
situação delicada defendendo-se dos rudes
mamelucos e turcomanos. O golpe derradeiro vem ironicamente e, de maneira triste,
com a traição do filho de Guy. Levon V entrega a capital Sis aos muçulmanos, sem
qualquer esboço de resistência (1375). A Pequena Armênia também sucumbira como a Grande Armênia, pela traição.
Nesses 3 séc. de existência da Pequena Armênia (1080-1375), a reciprocidade em todos
os sentidos entre franceses e armênios foi algo muito benéfico e enriquecedor. Os
francos tiveram uma facilidade muito maior
nas conquistas das primeiras cruzadas,
devido ao grande apoio recebido na Cilícia, uma insubstituível base.
O Papa Gregório XIII faz essa citação quanto a participação dos armênios na campanha
das grandes cruzadas: "Entre os outros méritos da nação armênia, com relação à Igreja
e à República Cristã, há um que é eminente e digno de especial memória: quando,
outrora, os príncipes e os exércitos cristãos iam recuperar a Terra Santa, nenhuma
nação e nenhum povo mais prontamente e com maior zêlo do que os armênios lhe prestou
seu auxílio em homens, em cavalos, em alimentos, em conselhos; com todas as suas forças, com bravura e fidelidade, ajudaram os cristãos em suas antas guerras".
Os armênios, durante essa troca, conheceram um novo ocidente (sem bizâncio), dos
francos - sua magnífica cultura e a nobreza de sua cavalaria.